Comportamento infantil: Desafio ou pedido de ajuda? Palestra on-line orienta famílias de estudantes da Rede Municipal de Ensino

Publicado em: 08 de maio de 2026
Texto: Renato Lana de Faria
Imagem: Divulgação
Comportamento infantil: Desafio ou pedido de ajuda? Palestra on-line orienta famílias de estudantes da Rede Municipal de Ensino
O Setor de Educação Infantil promoveu na noite desta quarta-feira (6), no canal oficial da Prefeitura de Aracruz no YouTube, uma live especial junto às famílias de crianças da Rede Municipal de Ensino. Esta palestra virtual foi mediada pela diretora do Centro Municipal de Ensino Infantil (Cmei) Chapeuzinho Vermelho, Adriana Alves dos Santos Abud, que é especialista e desenvolvimento infantil, com formação em psicanálise clínica, além de ser orientadora parental, ajudando pais e mães a compreenderem o comportamento de cada criança, sempre trazendo uma abordagem sócio emocional.

A secretária de Educação, Jenilza Spinassé, deu as boas vindas aos participantes destacando a importância desse momento às famílias. “É com muita alegria que damos continuidade a esse diálogo em rede. Hoje trazemos um tema muito importante, que é tratar do comportamento infantil. Em nome da Prefeitura de Aracruz e de toda rede, queremos agradecer nossa parceira, a diretora Adriana, que mais uma vez, vem nesse espaço de diálogo, contribuir para a formação de todos nós”, disse.

Adriana iniciou sua conversação questionando de onde os pais vieram, ou seja, como foi a formação deles enquanto crianças dentro de suas casas. “Qual foi o lar que nos acolheu e como as pessoas te acolhiam quando você chorava ou sentia medo? Como as pessoas te ajudavam ou se elas te acolhiam? O lar era um lugar amoroso ou disfuncional, com pessoas que gritavam e batiam? Onde queremos chegar? Como você gostaria que seu filho fosse aos 20 anos? Para ele chegar nesse caminho de prosperidade devemos pensar em como estamos olhando para a criança hoje quando ela faz uma birra ou se joga no chão”, ressaltou.

De acordo com a especialista em desenvolvimento infantil, desde o nascimento até os cinco anos, o cérebro de uma criança se desenvolve mais do que em qualquer momento da vida. A qualidade das experiências de uma criança nos primeiros anos de vida – positiva ou negativa – ajuda a moldar como seu cérebro se desenvolve (resultado do meio). “Somos o arquiteto dos cérebros de nossos filhos. Tudo o que fazemos e as experiências que promovemos a eles, constroem conexões que desenham estruturas comportamentais e emocionais”, explicou.

Os pais puderam aprender que o cérebro de uma criança se desenvolve melhor quando ela está em um ambiente de conexão e respeito, afinal, o ser humano é profundamente dependente de um relacionamento saudável. Para isso foram usados exemplos de frases que diminuem, como ‘eu sabia que isso iria acontecer’ – que quando proferidas, não ensinam, e sim ferem. “Crianças que crescem sob críticas destrutivas tendem a se tornar adultos inseguros, por isso, relacionamento saudável é o que estrutura e que ensina”, afirmou Adriana.

O cérebro de uma criança
Para mostrar como um cérebro de uma criança funciona, foi feita uma comparação entre um cérebro moldado por relacionamento saudável e outro por um relacionamento não saudável em uma criança de 3 anos, com uma foto de uma ressonância feita por um cientista dos Estados Unidos, que mostrou que o da criança não saudável é mais atrofiado que a da criança saudável, ou seja, um ambiente nocivo, é responsável por uma desestruturação.

Uma estrutura do cérebro com os lados direito e esquerdo também foi representada para mostrar as  funções de cada um. O lado direito, por exemplo, é responsável pelas funções holísticas, artísticas e intuitivas, incluindo o processamento de emoções, criatividade, música e visão espacial. Já o lado esquerdo é responsável pelo processamento da linguagem, do raciocínio lógico, do sequenciamento de informações e controle dos movimentos do lado direito do corpo.

"Em crianças de três anos, o lado direito é predominante, pois elas ainda não dominam a capacidade de usar a lógica e as palavras para expressar sentimentos, e quando elas entram na fase dos ‘por quês’, é quando o lado esquerdo está começando”, falou Adriana.

A live ainda apresentou detalhes do processamento neural e comportamento – entrada de informação – excitação – modulação inibitória – integração sináptica – saída motora, sendo que o desenvolvimento desse processo ocorre de forma progressiva e dependente da formação do córtex pré frontal e da experiência relacional, ou seja, a autorregulação plena não é esperada antes do início da vida adulta.

De uma forma ilustrativa, Adriana usou a imagem de um iceberg, cuja ponta é vista, porém a maior parte fica escondida embaixo d'água como forma de mostrar que quando uma criança está irritada, nervosa, chorosa, é porque existem inúmeros sentimentos que a levam a fazer isso, e que muitas vezes, os pais não conseguem perceber

“O comportamento de uma criança é um estado, não uma definição de quem ela é. Em momentos de birra, devemos lembrar do cérebro da criança, e focar em soluções saudáveis, resistindo ao desejo de ir à punição. Devemos lembrar que não existe criança mal comportada, e sim, mal encorajada”, completou.
 
 

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