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Prefeitura de Aracruz apresenta políticas de enfrentamento ao Covid-19

19/06/2020 Raquel de Pinho SECOM/PMA

A Prefeitura de Aracruz, por meio da Secretaria de Saúde (Semsa), realizou na manhã desta sexta-feira (19/06), uma coletiva com a imprensa por meio de videoconferência para apresentar suas políticas de enfrentamento ao Covid-19. Participaram do evento o prefeito municipal Jones Cavaglieri, a secretária de Saúde Clenir Avanza (Semsa), o secretário de Comunicação Alcione Alvarenga Pinheiro (Secom), a vereadora Mônica Cordeiro e os médicos do Hospital São Camilo, Dr. Eduardo Soares (Superintendente), Dr. Bruno Moura Alvese e Dra. Nina Mori Borges.

Jones Cavaglieri deu as boas-vindas aos participantes e falou do trabalho que sua gestão vem desempenhando no combate ao Covid-19. “Queremos informar à imprensa nossas ações para o enfrentamento dessa pandemia, pois vivemos tempos difíceis que nos desafiam a cada minuto. Esse plano de contingenciamento que estamos apresentando é uma prova do nosso empenho nessa luta. Precisamos de coragem para sair em busca de soluções variadas. Estamos dando um passo ousado, mas confiantes. Optamos por oferecer a possibilidade do uso de medicamentos como a hidroxicloroquina para tratar os casos suspeitos de Covid-19, e para isso, preparamos um longo protocolo que passaremos pra vocês, deixando claro os riscos e apontando quem pode ou não fazer seu uso”, disse.

Em seguida a secretária de saúde Clenir Avanza esclareceu a origem do protocolo que oferece a possibilidade do uso do medicamento. “Esse protocolo nasceu do nosso Comitê Sanitário, criado no dia 17 de março, e a partir de então, todas nossas iniciativas foram coordenadas por ele, que criou pesquisas, avaliou dados e acompanhou nossos pacientes. De comum acordo nós caminhamos e redirecionamos os fluxos de todas nossas UBS sem parar nossa assistência básica”, comentou.

Ainda de acordo com a secretária, um dos fatores que mais colaborou para que o município tomasse a decisão de criar o protocolo que possibilita o uso ou não do medicamento como a hidroxicloroquina foi a alta porcentagem de óbitos após as pessoas serem entubadas. “O índice de pessoas que sobrevivem após serem entubadas é de aproximadamente 35%, sendo muito otimista. Diante disso, percebemos que precisaríamos fazer um tratamento preventivo, assistencial e ambulatorial, assistido pelo corpo médico do Hospital São Camilo, adotando os medicamentos. Nós também reafirmamos que ainda não há evidências científicas que comprovem a eficácia do remédio, mesmo porque o vírus ainda não foi devidamente estudado. Do mesmo modo, também não existe nenhuma vacina ou remédio, por isso devemos fazer uma prevenção”, ressaltou.

 

A aplicação dos medicamentos e a criação da Central de Monitoramento Covid-19
A hidroxicloroquina começou a ser aplicada em Aracruz há aproximadamente 30 dias em 20 pacientes que tiveram o acompanhamento de todo o comitê. “Os resultados foram muito positivos e as pessoas não retornaram ao leito hospitalar e se encontram em isolamento. Para podermos acompanhar esses pacientes criamos a Central de Monitoramento Covid-19, que está funcionando no Creara (Centro), das 8h às 18h, de segunda-feira a segunda-feira. Após esse horário, temos as UPA´s 24h de Vila Rica, referência para o tratamento da Covid-19 na Sede, e da Barra do Riacho, para atender a Orla. Sabemos que a melhor solução é quebrar a cadeia de contaminação reforçando o isolamento social, sendo que já temos 22 óbitos, por isso, é necessário um remédio chamado solidariedade e empatia com relação à saúde para a população não ficar abandonada”, completou a secretária. A Central de Monitoramento funcionará através do telefone (27) 3270-7979, ramais 2693, 2689 e 2688.

O Superintendente do São Camilo Dr. Eduardo Soares falou da participação do Hospital na elaboração do protocolo. “Nós participamos de maneira ativa no desenvolvimento desse protocolo porque para nós é muito ruim recebermos um paciente com uma gravidade maior, sabendo que pouco poderemos fazer, sendo que o tratamento dessa doença ainda está em fase experimental. Partindo do princípio de que ainda não temos medicações com embasamentos científicos e com evidências e estudos randomizados, continuaríamos assistindo o que vem acontecendo diariamente, por isso, nos posicionamos ativamente para tentar fazer algo a mais para nossos pacientes, para que eles não cheguem ao hospital já em gravidade. Eu como médico digo que é frustrante não poder fazer algo a mais pelos pacientes em estado grave e desejamos maiores resultados para o nosso município”, enfatizou o médico.

 

Recomendações, orientações e contraindicações ao uso dos medicamentos

 De acordo com o protocolo para o tratamento clínico ambulatorial de pacientes com sintomas de Covid-19, com base no uso dos medicamentos como a hidroxicloroquina, azitromicina, zinco, ivermectina e corticoterapia, há a necessidade de orientação pelos profissionais médicos, sendo que a autoprescrição pode resultar em prejuízos à saúde e/ou à redução da oferta para pessoas com indicação precisa para o seu uso. Deste modo, os pacientes devem passar por uma avaliação chamada anamnese, que são os exames físicos e complementares nos equipamentos do SUS, com encaminhamento de uma ficha de notificação e de seus dados para a “Central de Monitoramento” para que eles sejam acompanhados.

O uso da hidroxicloroquina é contraindicado de forma absoluta aos grupos de gestantes, retinopatia/maculopatia secundária ao uso do fármaco já diagnosticada, hipersensibilidade ao fármaco e miastenia grave. Também deve ser feita uma avaliação pra se descobrir a necessidade de ajuste da dose em caso de insuficiência hepática. Deverão ser feitas a notificação e a coleta de materiais para diagnóstico da Covid-19, conforme a Nota Técnica n.° 29/2020 – Gevs/Sesa/ES, e para a definição de casos operacionais e critérios de coleta deverá haver uma orientação para o isolamento social dos pacientes e de todos os contatos que moram no mesmo domicílio por até 14 dias. A notificação deverá ser feita em duas vias, uma para o paciente e outra para anexar ao prontuário.

Mediante a avaliação médica e o consentimento do paciente, esse termo de consentimento livre deverá ser preenchido e devidamente esclarecido sobre o uso deste protocolo, sendo que ainda não há comprovação científica dessas medicações para a eficácia no tratamento da Covid-19.

Pacientes com síndrome respiratória que têm indicação para tratamento com Tamiflu deverão seguir prescrição conforme Protocolo para Influenza, sendo de responsabilidade do médico fazer a monitoramento dos pacientes que o mesmo indicar o tratamento.

Após os esclarecimentos foi aberto um espaço para que a imprensa fizesse suas perguntas. Todos também receberam uma cópia do plano de contingência de enfrentamento a Covid-19 e do protocolo ambulatorial covid-19.

Confira na íntegra o Protocolo Ambulatorial e o Plano de Contingência.

TEXTO: Renato Lana
E-MAIL: comunicacao@aracruz.es.gov.br