Data: terça, 17 de setembro de 2019.
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400 alunos da EMEF Ezequiel Fraga Rocha têm dia de prevenção com o Papo de Responsa

16/05/2019 Renato Lana
O Investigador da Polícia Civil, Alessandro Da Vitória, se interage com os alunos contando histórias do dia a dia de quem se envolve com o mundo do crime

O Investigador da Polícia Civil, Alessandro Da Vitória, se interage com os alunos contando histórias do dia a dia de quem se envolve com o mundo do crime

Na manhã e tarde desta quarta-feira (15/05), cerca de 400 alunos do 8º e 9º ano da EMEF Ezequiel Fraga Rocha estiveram na Igreja Fera, bairro Solar Bitti, para participarem de uma conversa franca com os investigadores da ACADEPOL – Academia de Polícia Civil do Espírito Santo - Núcleo de Prevenção – Segurança Cidadã; Juventude, Cultura e Paz, Danielle Leonel e Alessandro Da Vitória, que conduzem o projeto “Papo de Responsa”.

O projeto, que foi apresentado em Aracruz no dia 29/03, também já teve seu Ciclo de Formação com os professores e Diretores das oito escolas que inicialmente aderiram. Trata-se de uma ação educacional não formal que, por meio da palavra e de atividades lúdicas, discute temas diversos como prevenção ao uso de drogas e crimes na internet, além do bullying, direitos humanos, cultura da paz e segurança pública, aproximando os policiais da comunidade e, principalmente, dos adolescentes.

Interessados em ouvir as histórias, os alunos ficavam atentos ao que era dito pelos agentes. “Uma adolescente tatuou em seu braço o nome do seu namorado traficante, como se ela fosse sua propriedade. A menina já não era mais dona de seu próprio nariz. Como é feito como os animais, ela foi marcada. E quando percebeu que não tinha mais liberdade, não vivia uma vida normal, descontente e com medo, pediu para terminar, dizendo que não queria mais ficar com ele. Inconformado, o rapaz dizia que se ela não ficasse com ele, não ficaria com mais ninguém. Diante disso a trancou em um quarto. Felizmente a polícia a localizou e prendeu o traficante. Ela foi libertada e voltou para sua mãe. Porém, infelizmente, esse final não acontece com outras meninas, que são assassinadas. É a escolha de cada um aqui que vai definir seu futuro”, conta o investigador Alessandro Da Vitória.

Foram várias as histórias do dia a dia de quem convive com o tráfico ou com o consumo de drogas, tanto em escolas como na comunidade em que vivem. “Quando uma pessoa entra para o crime, automaticamente ela diminui sua expectativa de vida. Muito de vocês, que têm uma grande capacidade, dependendo da escolha que fizerem, vão definir o querem”, completa o investigador.

A Diretora da escola Penha Casotti Flores, que também acompanhou o dia de atividades de seus alunos com o Papo de Responsa, comentou sobre o que viu, e como esta ação pode colaborar com o desenvolvimento de cada adolescente. “Significou muito. Este projeto veio de encontro com o que temos ensinado na nossa escola. Sabemos que há alunos que se envolvem com as drogas. O nosso papo com eles sempre foi muito franco e com o jogo aberto. Mas quando temos essas conversas com pessoas de fora, isto nos fortalece ainda mais. Não cansamos de falar que acreditamos neles, que eles representam o futuro do nosso país. Amamos e nos importamos com esses meninos”, ressalta.

Em Aracruz o Papo de Responsa também tem o apoio da Investigadora da Polícia Civil Sônia Márcia Correa Martins e do Delegado Chefe da Regional, Dr. João Francisco Filho. Esta ação de quarta-feira (15/05) foi a terceira da semana, sendo que na segunda-feira (13/05) e na terça-feira (14/05), os agentes estiveram nas EMEFI´s Caieiras Velha e Dorvelina Coutinho respectivamente.

Ele funciona em três etapas e as temáticas são repassadas pelo órgão que convida o Papo de Responsa, como escolas, igrejas e associações, dependendo da demanda da comunidade. No primeiro ciclo, denominado de “Papo é um Papo”, a equipe introduz o tema e inicia o processo de aproximação com os alunos. Já na segunda etapa, os alunos são os protagonistas e produzem materiais, como músicas, poesias, vídeos e colagens de fotos, mostrando a percepção deles sobre a problemática abordada.

No último processo, o “Papo no Chão”, os alunos e os policiais civis formam uma roda de conversa no chão e trocam ideias relacionadas a frases, questões e músicas direcionadas sempre no tema proposto pela instituição. Por fim, acontece um bate-papo com familiares dos alunos, para que os policiais entendam a percepção deles e também como os adolescentes reagiram diante das novas informações.



TEXTO: Renato Lana
E-MAIL: rfaria@aracruz.es.gov.br